Vamos nos conhecer mais, identificando padrões repetitivos, pois não percebemos que é o inconsciente que está no comando...

O ICEBERG DA MENTE, CONSCIENTE E INCONSCIENTE NA VIDA REAL, SEJA AUTOR DE SUA PRÓPRIA HISTÓRIA...

Quando falamos da mente humana, a imagem do iceberg continua sendo uma das mais claras e honestas que já existiram. Não porque seja bonita, mas porque é real. O que aparece fora da água é pequeno. O que sustenta tudo está escondido. Assim também somos nós.


A parte visível do iceberg é o consciente. É aquilo que pensamos, falamos, escolhemos e justificamos. É a parte que acorda de manhã, organiza a rotina, trabalha, conversa, toma decisões aparentemente racionais. É o eu que acredita estar no controle da própria vida.

A parte submersa é o inconsciente. Muito maior, muito mais antiga e muito mais poderosa. Ali vivem nossas memórias emocionais, nossas dores não resolvidas, nossos medos primitivos, nossos desejos reprimidos, nossas crenças formadas na infância, nossas lealdades invisíveis e nossos conflitos não elaborados. É essa parte que, silenciosamente, dirige grande parte das nossas escolhas.

O problema começa quando o ser humano acredita que vive apenas da parte de fora do iceberg. Ele passa a repetir padrões, sabotar relações, adoecer o corpo, se perder emocionalmente e não entende o motivo. Diz frases como não sei por que ajo assim ou sempre faço isso e não consigo mudar. Isso não é falta de força de vontade. É o inconsciente no comando.

O inconsciente não fala por palavras claras. Ele se expressa pelo corpo, pelas emoções, pelos sonhos, pelos atos falhos, pelos impulsos repetitivos e pelas reações exageradas. Toda vez que alguém reage de forma intensa demais a algo pequeno, ali está o inconsciente pedindo escuta. Toda vez que o corpo adoece sem causa médica clara, algo da história psíquica está buscando passagem.

A boa notícia é que acessar o inconsciente não é um mistério reservado a poucos. Ele não exige técnicas complexas nem linguagem rebuscada. Exige presença, honestidade e disposição para sentir.

O primeiro acesso ao inconsciente acontece quando a pessoa aprende a observar a si mesma sem julgamento. Observar o que sente, quando sente e em que situações sente. Perguntas simples abrem portas profundas. O que isso despertou em mim. Onde já senti isso antes. Por que essa situação me tira tanto do eixo.

O segundo caminho é o corpo. O corpo nunca mente. Tensão, dor, cansaço extremo, falta de ar, nó no estômago, tudo isso é linguagem inconsciente. Quando a mente não pode falar, o corpo fala por ela. Escutar o corpo no dia a dia é uma forma direta de acessar conteúdos que foram reprimidos ao longo da vida.

O terceiro caminho é o silêncio. Não o silêncio externo, mas o interno. A mente moderna vive hiperestimulada, cheia de ruídos, telas e distrações. O inconsciente precisa de espaço para emergir. Momentos de pausa, respiração consciente e contato consigo mesmo permitem que conteúdos escondidos subam à superfície de forma natural.

Outro acesso fundamental acontece nas relações. O outro funciona como espelho. Aquilo que mais incomoda, atrai ou machuca geralmente toca algo não resolvido dentro de nós. Relações são convites constantes para o encontro com o próprio inconsciente. Quem foge disso repete histórias. Quem encara, amadurece.

A escrita espontânea também é uma ferramenta poderosa. Escrever sem censura, sem preocupação com estética ou lógica, permite que o inconsciente se manifeste de forma direta. Muitas respostas que buscamos fora surgem quando damos voz ao que está dentro.

A psicoterapia, especialmente a psicanálise, organiza esse processo. Ela oferece um espaço seguro para que o inconsciente se apresente, seja compreendido e integrado. Não para apagar o passado, mas para dar sentido a ele. Não para eliminar conflitos, mas para amadurecer diante deles.

Ajustar-se ao dia a dia não significa controlar tudo racionalmente. Significa reconhecer que somos dirigidos por camadas profundas e aprender a dialogar com elas. Quando o inconsciente deixa de ser inimigo e passa a ser escutado, a vida se torna mais leve, mais coerente e mais verdadeira.

No fim, o iceberg não precisa ser vencido. Ele precisa ser conhecido. Quanto mais consciência trazemos ao que estava oculto, menos somos governados por ele. E mais nos tornamos autores da própria história.

Com carinho Carlos Rondini 2026

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